Hoje de manhã estávamos eu, Tati e a Mari (estagiária do Pimentel) indo para o Aterro do Flamengo tirar fotos para o trabalho integrado quando vimos uma senhora desmaiar no ponto de ônibus. Apesar de ter me abalado com a cena daquela senhora desacordada em plena Rio Branco, sei que esse tipo de situação é comum no centro da cidade em dias de calor, como o de hoje.
Mas o que me chamou a atenção foi o sensacionalismo que fizeram ao ver a senhora desmaiada na rua. Ela mal caiu e já haviam pessoas ao redor dela, fotografando, filmando. O trânsito ficou lento naquele pedaço, isso porque ela desmaiou na calçada. Em vez de prestarem o devido socorro a senhora, ou chamarem o SAMU, bombeiros ou qualquer tipo de socorro, as pessoas ao redor da senhora estavam mais preocupadas em registrar aquele momento. Inclusive, curiosamente, uma equipe do SBT estava fazendo uma reportagem no local e uma mulher abordou a equipe para avisar do ocorrido. E, claro, como toda imprensa sensacionalista faz, eles foram imediatamente cobrir o “furo” do dia. Afinal, vai que é algo mais sério que um desmaio? Eles não podiam perder a chance de serem os primeiros a noticiar aquilo. (Deus que me perdoe por falar um absurdo desses, mas é assim que muita gente pensa.)
Foi quando, finalmente, percebi um senhor, ao celular, pedindo socorro. Muito discreto, longe do tumulto causado pelos curiosos. Nem sei se a Tati e a Mari repararam nisso. Depois de ouvir a ligação, com a consciência tranqüila por saber que aquela senhora seria devidamente socorrida, segui meu caminho rumo ao Aterro, pois confesso, não gosto de ver essas cenas.
Esse “acidente” de hoje me lembrou algo que aconteceu ali no centro mesmo, na esquina seguinte, na última quarta feira. Um policial assassinado, um bandido atropelado, outro bandido preso. Da Origem escutamos tudo. Dois tiros, gritaria, freada de carro, mais gritaria. E quando finalmente descobrimos o que aconteceu, já tinha gente filmando, fotografando, postando no twitter, facebook. Aliás, soubemos o que realmente aconteceu pelo twitter. A imprensa já estava presente. O circo já estava armado.
Essas horas eu me pergunto: será que sou só eu que acho uma tremenda falta de respeito com a senhora desacordada e com a família do policial assassinado esse tipo de sensacionalismo que as pessoas fazem com as tragédias (ou pelo menos com situações ruins)? A foto do policial assassinado bombou no twitter, mas as fotos dos buracos nas calçadas, do lixo nas ruas, dos motoristas irresponsáveis no trânsito, essas ninguém quer “viralizar”.
Tanta gente reclama de tanta coisa mas não faz nada para mudar. Se as pessoas usassem o poder que tem para viralizar uma tragédia para viralizar tudo que precisa ser mudado, consertado, corrigido e respeitado, talvez isso fosse, de fato, mudado, consertado, corrigido e respeitado. Nada como um pouco de pressão nas autoridades para eles perceberem que existe um povo a ser governado, e que esse povo tem voz própria, vontade própria e, principalmente, que tem poder.
Eu realmente torço para que a senhora esteja bem; deixo meus sentimentos à família de mais um cidadão de bem, trabalhador, que zelava pela nossa segurança e que foi vítima da tsunami de violência que inunda o Rio de Janeiro e peço desculpas pelo desabafo aqui no blog. Essa foi a forma que encontrei de viralizar algo que está errado na esperança de um dia ser corrigido.



















Eu estava presente... Também fiquei chocada com o que aconteceu e reforço o que você disse... "Tanta gente reclama de tanta coisa mas não faz nada para mudar. Se as pessoas usassem o poder que tem para viralizar uma tragédia para viralizar tudo que precisa ser mudado, consertado, corrigido e respeitado, talvez isso fosse, de fato, mudado, consertado, corrigido e respeitado."
As pessoas adooooram reclamar, falar que tudo está uma porcaria, que o governo tem que fazer tudo e elas mesmo não fazem nada. O que custa ajudar? Um ato de solidariedade, modifica tanta coisa. O coração do ser humano é o que precisa ser mudado. As pessoas precisam pensar mais no coletivo e menos no individual.