Esses dias minha mãe me disse uma frase que me fez parar para pensar sobre mim, sobre as pessoas, coisas do tipo.
Estávamos conversando quando ela me disse que eu vivia no Fantástico mundo de Bob. Pra quem não lembra, esse é um desenho antigo cujo personagem principal, Bob, ao entrar em seu quarto se desligava do mundo exterior e vivia em seu próprio mundinho, fruto da sua imaginação.
No mesmo momento a questionei o motivo desse pensamento, e a resposta dela foi a seguinte: Você fica tanto tempo naquele computador que não interage com as pessoas.
Foi quando parei para me perguntar o que era interagir (não que eu não soubesse o significado da palavra, queria ir além do dicionário, algo mais filosófico) e percebi que a minha forma de interagir era diferente da forma da minha mãe, que era diferente da do meu pai, do meu irmão e assim por diante.
Minha mãe achava que eu não interagia porque ficava com o fone de ouvido escutando música na frente do computador. Para ela, isso não era interagir. Interagir era ter contato físico. Era estar cara a cara. Era falar pessoalmente. Era a conversa, troca de olhares e de carinho. Ela não via que, ao ficar na frente do computador, eu estava interagindo, só que da minha forma.
Por outro lado, ao ficar na frente do computador, eu interagia com pessoas do mundo todo presentes na minha rede. Conversava por MSN com um amigo que estava na França enquanto no email, mandava uma mensagem perguntando como tinha sido o retorno para casa de um colega intercambista inglês que viveu 6 meses aqui no Brasil, na casa de um amigo meu e ao falava com meu namorado pelo orkut, que mora apenas a uma linha amarela de distância.
Quando parei para pensar nisso, me toquei que ao mesmo tempo que estava interagindo mundialmente, não interagia com quem estava no quarto ao lado, meus pais. Por outro lado, eles também não interagiam comigo por não fazerem parte das redes que eu participo.
Bom, o final da minha história com meus pais é que conseguimos achar um equilíbrio entre as “duas formas” de interagir.
Mas o que quero questionar com essa história é: Qual seria o verdadeiro sentido da interação? Como pode você está tão próximo e tão distante e vice versa? Como é possível você saber o que aconteceu há 2 minutos na China e não saber que seu vizinho acabou de se tornar pai?
Falamos com pessoas em todos os cantos do mundo e deixamos de interagir com pessoas “nos cantos mais próximos”, como por exemplo, nossos vizinhos, colegas de sala e até mesmo nossos pais, irmãos, enfim... pessoas que estão apenas no quarto ao lado.



















Você escreveu uma coisa na qual eu penso todos os dias! Como é possível estar tão perto e tão distante ao mesmo tempo? Minha mãe não entende como eu conheço tanta gente de lugares distantes daqui e, acima de tudo, como eu posso chamá-los de 'amigos', que é uma palavra tão forte. A internet nos possibilita interagir de forma tão intensa que a gente, de fato, acaba interagindo muito mais com aquele que mora há quilômetros de distância do que com quem mora há alguns passos de nossa casa.