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O Outro

Enviado por Flávia Brandão em 24/09/2010 às 08:10 PM

Inspirada pela aula de atuação em rede e pelo texto do professor Klaus "O ser em rede", venho postar um artigo que escrevi em meu blog (abandonado, devo confessar)  sobre sociedade de massa, tecnologia e a capacidade de sairmos de nossa individualidade e enxergarmos o outro.

Aí vai!


"... Estava eu hoje almoçando no shopping quando um homem perguntou se podia sentar-se ali, pois, àquela hora, achar um lugar era ganhar na Mega-Sena. Balancei a cabeça positivamente e continuei alimentando a Clotilde, minha amiga solitária. Mesmo tentando prestar atenção na comida, não pude ficar indiferente ao sujeito. E aí começou o post.




Fazendo um paralelo com o conceito de sociedade de massa, em que as pessoas estão com os laços sociais cada vez mais afrouxados, embora o mundo virtual nos iluda do contrário, percebi o quanto me incomodava a presença daquela pessoa ali ao meu lado.

Aí vocês vão dizer: nossa, que antissocial! Que antipática! Justamente o oposto, pois adoro as pessoas, a convivência com elas, suas diferenças como está escrito aí ao lado no blog. Mas, porém, contudo, todavia, era como se o fato de ele estar lá mexesse comigo, invadisse uma suposta privacidade, a individualidade.

Falo isso, porque ao sentar com um, teoricamente, estranho, estava dividindo o ato de fazer a refeição, quebrando um pouco a ideia de individualidade, entrando na coletividade, na comunhão. Mesmo assim, o homem-massa, menor unidade da sociedade de massa, falou mais alto, porque meu companheiro de almoço também não sabia o que fazer.

Olhava, assim como eu, hipnotizado para uma tela em que notícias eram anunciadas (Elemídia), mexia no celular, inquieto, procurando não fazer contato visual comigo e, ao se atrapalhar na hora de comer, parecia um menino que tinha feito uma travessura. Ficou encabulado e eu, indiferente.

Esse momento só se quebrou quando, como manda a boa educação, pedi licença e me retirei, pois Clotilde já estava satisfeita. Foi um dos únicos momentos em que o contato visual se fez.


Mas por que isso acontece? Perguntava eu aos meus botões. Sociedade de massa. Tão perto, tão longe. É como o filme Crash - No limite (recomendo!) fala, as pessoas se esbarram nas ruas para ter mais contato com o outro, já que estão tão entretidas consigo mesmas que se esquecem do vizinho, da pessoa ali ao lado.

No entanto, nem tudo está perdido, pois ao sair do shopping e esperar o sinal abrir uma moça veio falar comigo, espontaneamente, e disse: Nossa, até o sinal abrir vamos ter torrado (Rio 40º)! Então respondi: Pois é! Espero que amanhã faça sol para poder ir à praia! E ela: Sim! É verdade! E o sinal abriu, assim como a esperança de que aquele vire este."


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Enviado por em 24/09/2010 às 09:40 PM
Patrícia Águia

É engraçado como nós nos sentimos tão incomodadas quando nossa individualidade é "quebrada". Também me sinto assim as vezes.


Enviado por em 24/09/2010 às 11:22 PM
Prof. Klaus Denecke-Rabello

Hmmm, eu sempre acabo interagindo... a troca é o que nos engrandece.


Enviado por em 24/09/2010 às 11:41 PM
Raíssa Rossi

Pra mim, a situação mais incômoda de "invasão de privacidade" é quando alguém se senta ao meu lado no ônibus. Eu não sei quem é aquela pessoa, o que ela vai fazer do meu lado, se vai querer puxar algum papo inconveniente, se é espaçosa e vai me deixar toda apertada no banco... Enfim, me incomoda um pouco, apesar de eu já ter me acostumado.

Muito bom o texto, Flávia!


Enviado por em 26/09/2010 às 05:58 PM
Fernanda Fukumoto

Concordo com o Klaus, a troca nos engrandece demais, por mais que de início a nossa individualidade seja maior, e como vc disse, o homem-massa fale mais alto. Não queremos muitas vezes ter contato com o outro, pois já estamos satisfeitos com nós mesmos. Nós não somos acostumados a pensar que precisamos do outro e que sem este nada acontece. Quando me encontro nessas situações penso que o outro pode me completar com coisas que talvez nunca pensasse, me fazendo ver o outro lado da moeda e tornando um momento que antes era só meu, para algo muito maior. Quando percebemos que não somos maiores nem menores e sim iguais, conseguimos ter abertura e conseqüentemente a certeza de que juntos podemos fazer da vida algo muito melhor. 


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