Inspirada pela aula de atuação em rede e pelo texto do professor Klaus "O ser em rede", venho postar um artigo que escrevi em meu blog (abandonado, devo confessar) sobre sociedade de massa, tecnologia e a capacidade de sairmos de nossa individualidade e enxergarmos o outro.
Aí vai!
Fazendo
um paralelo com o conceito de sociedade de massa, em que as pessoas
estão com os laços sociais cada vez mais afrouxados, embora o mundo
virtual nos iluda do contrário, percebi o quanto me incomodava a
presença daquela pessoa ali ao meu lado.
Aí vocês vão dizer: nossa, que antissocial! Que antipática! Justamente o oposto, pois adoro as pessoas, a convivência com elas, suas diferenças como está escrito aí ao lado no blog. Mas, porém, contudo, todavia, era como se o fato de ele estar lá mexesse comigo, invadisse uma suposta privacidade, a individualidade.
Falo isso, porque ao sentar com um, teoricamente, estranho, estava dividindo o ato de fazer a refeição, quebrando um pouco a ideia de individualidade, entrando na coletividade, na comunhão. Mesmo assim, o homem-massa, menor unidade da sociedade de massa, falou mais alto, porque meu companheiro de almoço também não sabia o que fazer.
Olhava, assim como eu, hipnotizado para uma tela em que notícias eram anunciadas (Elemídia), mexia no celular, inquieto, procurando não fazer contato visual comigo e, ao se atrapalhar na hora de comer, parecia um menino que tinha feito uma travessura. Ficou encabulado e eu, indiferente.
Esse
momento só se quebrou quando, como manda a boa educação, pedi licença e
me retirei, pois Clotilde já estava satisfeita. Foi um dos únicos
momentos em que o contato visual se fez.
Mas
por que isso acontece? Perguntava eu aos meus botões. Sociedade de
massa. Tão perto, tão longe. É como o filme Crash - No limite
(recomendo!) fala, as pessoas se esbarram nas ruas para ter mais contato
com o outro, já que estão tão entretidas consigo mesmas que se esquecem
do vizinho, da pessoa ali ao lado.
No entanto, nem tudo está perdido, pois ao sair do shopping e esperar o sinal abrir uma moça veio falar comigo, espontaneamente, e disse: Nossa, até o sinal abrir vamos ter torrado (Rio 40º)! Então respondi: Pois é! Espero que amanhã faça sol para poder ir à praia! E ela: Sim! É verdade! E o sinal abriu, assim como a esperança de que aquele vire este."



















É engraçado como nós nos sentimos tão incomodadas quando nossa individualidade é "quebrada". Também me sinto assim as vezes.